helioneves Escreveu: 11 mar 2026, 16:18
lá ver se você tem mais sorte que eu tive... quando no terceiro ano comecei a "tocar na xixa" ( lidar com esquemas de eletrónica ) e fui ter com um professor catedrático ( na altura achava eu que era o mais indicado para tirar dúvidas...

) e lhe coloquei uma questão sobre um circuito básico, elementar até ( um duplicador de tensão de onda completa ), ele enrolou, enrolou, enrolou e quando percebeu que eu não estava satisfeito com a falta de explicação dele, ele sai-se com esta frase: "você não devia estar aqui, devia era estar no ISEC..." [ como me arrependo de não lhe ter dado ouvidos nessa hora...

]
Às vezes também acontece uma coisa curiosa: a linguagem que um professor usa simplesmente não é compatível com a forma como nós estamos habituados a aprender.
Dou um exemplo meu. No 11.º ano comecei a ter um professor novo que vinha da universidade e usava uma linguagem muito técnica que eu ainda não dominava. Eu estava habituado ao professor anterior, que explicava de forma mais simples. De repente começámos a dar amplificadores com transístores e com OPAMPs e eu não percebia praticamente nada.
Depois vieram os motores e transformadores e acabou por ser a minha primeira negativa com ele. Também não ajudava o facto de ele praticamente não partilhar recursos.
Curiosamente, mais tarde na universidade tive outro professor que explicou esses mesmos temas e aí já consegui compreender. No CTESP também descobri vários livros técnicos que ajudaram bastante.
Por isso acho que às vezes não é só uma questão de dificuldade do tema — muitas vezes é mesmo encontrar uma linguagem de explicação que seja compatível com quem está a aprender.
A universidade onde estou (um politécnico) não me dá tanta prática como eu gostaria, e isso às vezes deixa-me um pouco desanimado. Neste momento gostava mais de estar a ajudar outras pessoas a resolver problemas, porque sinto que tenho jeito para isso.
Dou um exemplo recente. Na semana passada, a caminho da universidade, encontrei um sistema de som bastante bom (um Logitech Z333) que parecia ainda estar em bom estado. Fiquei bastante contente com o achado, levei-o para casa e comecei a fazer alguns testes. Acabei por descobrir alguns problemas sendo o principal o conector jack partido. Resolvi isso e agora tenho um sistema de som a funcionar perfeitamente.
Pode parecer uma coisa simples, mas foi um momento que me deu bastante satisfação como outros que tive. Honestamente, são estes momentos que me fazem gostar da engenharia: pegar em algo que não funciona, perceber o problema e conseguir repará-lo.
E, sendo sincero, sinto que se dependesse apenas da universidade dificilmente teria aprendido a reparar um sistema de som ou outras coisas simples do dia a dia. Digo isto porque vejo que muitos colegas acabam por ter muito conhecimento teórico, mas pouca experiência prática com este tipo de coisas.